A Estrada 47 - o que aconteceu com os soldados brasileiros na 2ª Guerra ?



Com um afinado apuro técnico, a coprodução entre Brasil, Itália e Portugal "A Estrada 47" centra-se no drama e nos conflitos dos personagens, deixando os horrores da guerra apenas como uma questão de contexto. Uma abordagem humana extraída das leituras de relatos de ex-combatentes e crônicas sobre o tema feitas pelo diretor nos últimos anos.

A Estrada 47, a propósito, conta a saga de quatro oficiais brasileiros da Força Expedicionária Brasileira (FEB) , perdidos na terra de ninguém na Itália, em território ocupado pelas forças do Eixo.

Após sofrerem um ataque de pânico, próximo à Linha Gótica (linha de defesa nazi-fascista que cortava os Montes Apeninos, onde foi travada a Batalha de Monte Castelo, em que houve grande baixa de soldados brasileiros) eles se vêm no meio do nada, castigados pelo frio inclemente e divididos entre o medo de serem acusados de desertores e de enfrentar a Corte Marcial e o de encarar o inimigo nazista.

No roteiro, Ferraz fecha sua narrativa no quarteto formado por Piauí (Francisco Gaspar), Tenente (Júlio Andrade), Laurindo (Thogun Teixeira) e Guima (Daniel de Oliveira), soldados brasileiros enviados à Itália para lutar contra as forças do Eixo. Depois de uma debandada generalizada do batalhão por uma crise de pânico no sopé do Monte Castelo, os quatro se separam do grupo.



Mesmo com medo de emboscadas, eles precisam decidir se voltam ao quartel, e enfrentam a corte marcial por deixar seus postos, ou se seguem adiante e retiram as minas terrestres da Estrada 47, o que permitiria a passagem do exército aliado. A ideia vem do jornalista de guerra Rui (o português Ivo Canelas), que se junta aos soldados, especializados em engenharia.

No caminho irão encontrar o desertor fascista Roberto (o ator e diretor italiano Sergio Rubini) e ainda fazem prisioneiro um soldado alemão, o coronel Mayer (Richard Sammel). Cada um deles irá ajudá-los de alguma forma nesta empreitada.

Ferraz contou com a colaboração do roteirista Paulo Lins (de "Quase Dois Irmãos"), que escreveu as cartas (narradas em off durante o filme) do personagem Guima ao pai, no Brasil. Mais do que caracterizar o personagem, o texto tenta resgatar a mistura de sentimentos dos mais de 25 mil brasileiros enviados para a campanha italiana, muitos sem qualquer preparo.


Richard Sammel.
Vencedor do prêmio de melhor filme no Festival de Gramado no ano passado, a ficção de Vicente Ferraz também surpreende pelas dificuldades técnicas enfrentadas em sua produção. Filmada na Itália, debaixo um rigoroso inverno, já que a presença da neve era fundamental, o trabalho da equipe e elenco foi ainda mais desafiador.

O longa é estrelado por Daniel de Oliveira (Guima),  Francisco Gaspar (Piauí), Júlio Andrade (Tenente), Thogun Teixeira (Laurindo), o italiano Sergio Rubini (Roberto), o português Ivo Canelas (Rui) e Richard Sammel (Mayer). 

"Eu não fazia ideia de que os brasileiros tinham combatido ao lado dos Aliados. E isso porque eu estudei muito o assunto. Ninguém sabe disso na Alemanha e nem na Itália. É esta história, que é importante sobretudo para o Brasil que me emocionou. Como ninguém a contou antes?", questiona Sammel. 


Essa mesma pergunta o que fez Vicente ter a inspiração para criar A Estrada 47. "Há 70 anos, mais de 25 mil brasileiros enfrentaram um frio de -30C nos Apeninos italianos, combatendo nazista. E é algo tão absurdo que me pergunto por que não filmaram antes? Não foi a vontade de fazer um filme de gênero, mas contar a história dos brasileiros reais. Este encontro de culturas, dos brasileiros, tropicais, em Guerra europeia é o que me moveu neste filme", responde o próprio diretor.




Fonte: http://cinema.uol.com.br/noticias/reuters/2015