Dicas que ajudam a evitar a queda de idosos em uma casa

Com aumento da longevidade, população está mais exposta a fraturas. 
Especialistas alertam para os riscos impostos pela deterioração da saúde e também pelos obstáculos presentes nos locais onde o idoso circula.

Arte ZH

Mais longeva, a população está cada vez mais exposta a fraturas. Especialistas alertam para os riscos impostos pela deterioração da saúde e também pelos obstáculos presentes nos locais onde o idoso circula. O tema foi um dos destaques do 19º Congresso Brasileiro de Geriatria e Gerontologia, realizado em Belém (PA), entre os dias 29 de abril e 3 de maio.

Entre os principais fatores que contribuem para a chamada síndrome da fragilidade do idoso, estão a osteoporose (redução da massa óssea do esqueleto), a sarcopenia (perda da massa e da força musculares), a desnutrição (queda de dentes leva à preferência por alimentos líquidos e pastosos, acarretando carências na dieta) e o sedentarismo (provocado, muitas vezes, por dificuldades de mobilidade). Alterações visuais, auditivas, táteis e de equilíbrio, além de características dos espaços domésticos e públicos, como buracos, pisos escorregadios e iluminação precária, também representam ameaças.

— Há fraturas espontâneas. Um mau jeito, uma entorse e até carregar muito peso podem causar fraturas — adverte o geriatra e pneumologista Eduardo Garcia.

A probabilidade de sofrer um tombo aumenta com o passar do tempo — cerca de 15% das pessoas de 60 a 70 anos caem no mínimo uma vez ao ano, enquanto entre octogenários e nonagenários o número de vítimas salta para 50%. Em média, no geral, 30% dos idosos caem pelo menos uma vez em um período de 12 meses, machucando, com frequência, ombros, vértebras e punhos.

Também bastante comum, a lesão de fêmur (quadril) é a mais perigosa — em torno de 20% dos pacientes morrem em até um ano. Com dificuldades de locomoção, podem acabar desenvolvendo problemas que agravam o quadro geral, como embolia pulmonar, infecção, pneunomia, infarto e úlceras de pressão (feridas).

Segundo o geriatra Ângelo José Gonçalves Bós, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia — Seção Rio Grande do Sul, o abalo emocional para o idoso e a família pode ser forte.

— A queda representa muito mais do que um simples machucado. Há diminuição da autonomia e do convívio social. Os familiares se preocupam, querem proteger o idoso, proíbem saídas e atividades, há atrito. O paciente desenvolve até depressão — afirma Bós.

Como medida preventiva, além dos cuidados permanentes com a saúde, recomenda-se promover adaptações na casa. É preciso eliminar tapetes e instalar acessórios como barras de apoio no banheiro, dentro do box e ao lado do vaso sanitário (veja mais dicas na imagem).

RECOMENDAÇÕES

— Ter uma dieta equilibrada, privilegiando todos os grupos de alimentos

— Praticar atividades físicas sob orientação profissional

— Consultar um médico regularmente para a realização de exames

— Reconhecer e tratar doenças crônicas degenerativas (insuficiência cardíaca, Parkinson, demências, bronquite e enfisema)

— Não praticar a automedicação. O uso indiscrimnado de calmantes, por exemplo, pode tornar os reflexos mais lentos

— Evitar o consumo excessivo de álcool

OSTEOPOROSE

— A osteoporose se caracteriza pela redução da massa óssea do esqueleto, favorecendo fraturas por quedas ou até espontâneas. Atinge ambos os sexos, sendo mais frequente entre mulheres.

— De acordo com a Fundação Internacional de Osteoporose, a doença afeta atualmente cerca de 10 milhões de brasileiros.

— No mundo, uma fratura provocada pela enfermidade ocorre a cada três segundos — são 25 mil casos por dia, totalizando mais de 9 milhões por ano.

— O sedentarismo é um dos principais fatores de risco. Essenciais durante toda a vida, as atividades físicas são uma importante forma de prevenção.

FRATURAS MAIS FREQUENTES

— Fêmur: é a mais perigosa. A situação de imobilidade pode acarretar problemas como embolia pulmonar, infecção, pneunomia, infarto e úlceras de pressão (feridas). Taxa de mortalidade para estes casos alcança 20% no primeiro ano após a queda.

— Ombro

— Vértebra

— Punho

Livre-se dos perigos que estão em casa

Perigos podem estar escondidos na aparente segurança do lar, sobretudo para idosos. Tapete no chão, nem pensar. Quarto escuro, também não. Um ambiente amigável precisa ter caminho livre para as atividades deles.

Na maioria das vezes, o acidente ocorre não apenas por desatenção da pessoa com idade avançada, mas por falta de cuidado dos adultos responsáveis pela casa e que poderiam ajudar a manter o caminho livre.

Escadas, pisos escorregadios, móveis que estão mal distribuídos são outras armadilhas que ameaçam a integridade física dentro do lar. Os utensílios mais utilizados, por exemplo, devem ficar em móveis de fácil acesso.


Fonte:
http://revista.penseimoveis.com.br