VOO PP-VLU DA VARIG - O RETORNO DO COMANDANTE GILBERTO

O maior mistério da aviação




No dia 30 de janeiro de 1979, o Boeing cargueiro da Varig 707-323C levantava vôo do aeroporto de Narita no Japão. O avião foi carregado com sua capacidade máxima e no seu interior havia uma carga incomum: 153 pinturas do pioneiro pintor do abstracionismo no Brasil, o nipo-brasileiro Manabu Mabe. Ele estava no Japão expondo seus quadros avaliados na época em US$ 1,24 milhão de dólares.

O plano de vôo consistia de decolar da capital japonesa e voar sem escalas até Los Angeles nos Estados Unidos. Lá, uma nova tripulação assumiria o avião e o levaria em uma nova viagem até o aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro. Apresentou-se naquela noite no aeroporto de Narita no Japão, o piloto e comandante da aeronave. Um dos mais experientes e famosos pilotos da aviação da época: Gilberto Araújo da Silva. O mesmo piloto que anos antes havia virado héroi nacional na França ao evitar que um avião em chamas caísse sobre a capital Paris. Além dele outros cinco experientes tripulantes completariam o voo:

Erny Peixoto Myllius: 1º Oficial 
Antônio Brasileiro da Silva Neto: 1º Oficial 
Evan Braga Saunders: 2º Oficial
Josê Severino Gusmão de Araújo: Engenheiro de Vôo 
Nícola Esposito: Engenheiro de Vôo 

Cumprindo todos os protocolos, o comandante Gilberto abasteceu o cargueiro com a capacidade máxima de combustível, checou todos os equipamentos e preparou o avião para decolagem. A torre de Nárita deu condições de vôo para o comandante. O avião cargueiro levantou vôo às 20:23 horário japonês. Logo desapareceu na fina neblina que cobria o céu da capital japonesa.

Às 20:45, o comandante Gilberto fez o primeiro contato com a torre de Narita. O segundo contato estava previso para as 21:23. O horário chegou mas o contato não veio. O silêncio do PP-VLU logo foi notado pelos controladores de vôo em terra que começaram a a ficar apreensivos.

Durante 1 hora, os controladores em terra tentaram sem sucesso contactar o cargueiro PP-VLU. Após 1 hora de tentativas frustradas, a torre de controle chegou a uma conclusão: o Boeing 707-323C cargueiro da Varig estava desaparecido. A marinha e a aeronáutica japonesa imediatamente se mobilizaram, mas a escuridão da noite aliada à forte neblina impediram que buscas fossem realizadas. Apenas quando o sol nasceu, as buscas realmente começaram. Uma imensa busca foi realizada, a guarda costeira e a força aérea dos Estados Unidos se juntaram ao Japão na tentativa de dar alguma luz ao repentino e misterioso desaparecimento do cargueiro da Varig.

O que deve ter acontecido? Até hoje o mistério

Dias e dias se passaram e nada. Meses se passaram e nada. Em casos de aviões que caem no mar, é comum que destroços sejam localizados, mesmo que semanas depois, levados pelas marés até as costas de continentes. Isso ficaria mais evidente no caso de um cargueiro com mais de 150 toneladas. Mas não foi isso o que aconteceu. O Varig 707-323C prefixo PP-VLU entrou para a história como o único jato comercial a desaparecer sem deixar vestígios. Não há nada parecido na história da aviação comercial, nem antes e nem depois. Nunca, um avião a jato desapareceu sem deixar um único rastro. Nenhuma mensagem de socorro foi enviada pelos tripulantes, nenhuma mensagem captada por outra aeronave ou por radioperadores em terra, nenhum destroço do avião encontrado, manchas de óleo ou combustível, pedaços de estruturas leves, plásticos, que sempre flutuam na água, … NADA foi encontrado.


Teorias


Como nenhum destroço do avião nunca foi encontrado, diversas teorias surgiram ao longo dos anos. Grande parte delas fantasiosas, algumas dizendo que o avião fora sequestrado por alienígenas outras supondo que o avião fora ocupado em um sequestro promovido por colecionadores de arte, hipótese descartada já que os quadros do pintor nipo-brasileiro nunca foram vistos em lugar nenhum. 

Há uma teoria que diz que o cargueiro da Varig levava mais do que quadros. Em 1976, um caça soviético modelo Mikoyan-Gurevich MiG-25, desertou da base de Saharovka e pousou no aeroporto internacional de Hokkaido no Japão. Interessados nos segredos do caça, norte-americanos teriam desmontado o mesmo e colocado no cargueiro para ser estudado nos Estados Unidos, por isso a escala em Los Angeles. A inteligência soviética teria descoberto e interceptado o avião e obrigado o comandante Gilberto a pousar em algum lugar da antiga União Soviética. A tripulação teria sido morta por agentes da KGB. 

Entretanto a teoria mais aceita diz que o que houve com o cargueiro foi uma despressurização da cabine. Devido a uma falha no sistema de pressurização da cabine, houve uma despressurização da mesma levando os tripulantes a desmaiarem e posteriormente morrerem de asfixia. O boeing teria voado na mesma altitude e direção com o piloto automático, até ficar sem combustível, e caído em algum ponto do vasto oceano pacífico, a milhares de quilômetros de onde aconteceram as buscas.

“Basta que ele tenha caído de forma íntegra, em uma área de grande profundidade e um relevo submarino muito acidentado. Então, o avião vai cair, vai sofrer deformação e afundamento, vai se alojar em algum vale e a gente nunca mais vai saber dele”, explica Moacyr Duarte, especialista em acidente da COPPE-UFRJ. 

Assista a reportagem do programa  Fantástico da  Tv Globo


As buscas foram encerradas algumas semanas depois. 6 meses depois, a família do comandante Gilberto recebeu um atestado de óbito. Nenhum destroço foi localizado e não houve uma explicação oficial sobre o desaparecimento do cargueiro. Um relatório final da Varig diz o seguinte: 
“Não foi possível encontrar nenhum indício que lançasse qualquer luz sobre as causas do desaparecimento da aeronave.”



Fontes:oaprendizverde.com.br ; youtube.com ; jetsite.com