VOO 3142 DA LAPA - SEM FREIOS





O voo 3142, da companhia aérea argentina LAPA, caiu no Aeroporto Jorge Newbery da cidade de Buenos Aires em 31 de agosto de 1999 às 20:54 hora local, quando decolava com 95 passageiros e 5 tripulantes com destino à cidade de Córdoba, protagonizando um dos acidentes mais graves da história da aviação argentina.

A quele era um avião velho: o Boeing da companhia aérea Lapa – a segunda argentina na epoca – tinha 29 anos de uso e 67.400 horas de vôo acumuladas. Quando um 737 sai da fábrica, os engenheiros esperam que ele tenha uma vida média de vinte anos e voe 45.000 horas. A partir daí, ele não precisa necessariamente ser aposentado, mas sua segurança passa a depender muito mais da manutenção rigorosa. A cada milhão de decolagens do modelo que se espatifou em Buenos Aires, um deles cai.

Nas versões mais modernas desse tipo de Boeing, como os 737-300 ou 500, a taxa diminui para menos da metade. A Lapa operava o avião fatídico há três anos. Um 737-200 como o da Lapa custa cerca de 4 milhões de dólares, 10% do preço de um modelo novo. Além das suspeitas sobre a idade, a manutenção e o estado da turbina do avião, o acidente colocou a seriedade da Lapa em dúvida. Em 1984, Gustavo Deutsch, dono de uma rede de supermercados, recebeu a companhia como parte do pagamento de uma fazenda. Ela tinha dois aviões. Em 1998, já era a segunda da Argentina, com dezenove aviões e 30% de participação no mercado. A receita básica do sucesso foi o preço das passagens, até 40% mais baratas do que as dos concorrentes.

Ao iniciar a trajetória de decolagem, um alarme começou a soar e os pilotos o desconsideraram. Esse alarme, que os pilotos não puderam determinar a causa, indicava que os flaps ainda estavam retraídos, impedindo que o avião pudesse decolar.

Como o avião havia superado a velocidade mínima decolagem, ficaram impossibilitados de frear antes do fim da pista devida à alta velocidade. Desta maneira, o avião cruzou uma avenida fora do perímetro do aeroporto, levando consigo um automóvel. A aeronave só conseguiu parar sobre máquinas viárias e de terraplanagem.


Trajetória que foi feita pela aeronave.


"Tudo parecia bem. Não houve uma batida forte sequer. Pensei que a decolagem tivesse sido abortada e seria tentada de novo", conta o médico José Manuel Amaya, uma das 100 pessoas a bordo. O tempo entre o aviso do piloto e o baque contra uma pequena elevação do campo de golfe a 500 metros do fim da pista do Aeroparque Jorge Newbery foi de pouco mais de um minuto. Aí começou o pânico. "Houve uma explosão tremenda", continua Amayo. "Soltei o cinto e corri. Só enxergávamos chamas e fumaça. Pisávamos uns nos outros para chegar ao fundo do avião, mesmo sem saber se a porta estava aberta. O fogo se alastrava." 



A saída desordenada dos sobreviventes demorou de três a cinco minutos. Os bombeiros levaram uma hora para apagar o fogo. O saldo foi aterrador: quarenta feridos, 64 corpos carbonizados e seis sacos repletos de pedaços de corpos que podem pertencer a até sete pessoas. Um dos mortos, provavelmente, estava no ponto de ônibus atropelado pelo Boeing desgovernado. O avião virou um monte irreconhecível de pedaços carbonizados.

A perda de combustível nos motores quentes e o gás expelido por uma estrutura reguladora de distribuição de gás existente no lugar provocaram um incêndio e a perda total da aeronave, ceifando a vida de 65 pessoas e deixando 17 gravemente feridas.

Vídeo da reconstituição e investigação do programa 'Catástrofes Aéreas' do Discovery Channel