Exterminador do Futuro 5 poderá ter Schwarzenegger no elenco


Ele estará de volta. Arnold Schwarzenegger, depois de uma passagem pela política nos EUA, poderá a reencarnar o personagem épico que nasceu em meados dos anos 80, o Exterminador.




O primeiro filme, lançado em 1984, quase 30 anos atrás, com produção de James Cameron, é um clássico de ficção científica e levanta reflexões sobre os rumos que a tecnologia, sobretudo a robótica e a computação, estavam tomando naquela época. O medo de uma automação que avançava a cada dia, invadindo o cotidiano de cada um de nós, tomando postos de trabalho e adquirindo formas sofisticadas. Os robôs poderiam adquirir consciência algum dia, e se eles se rebelassem contra seus criadores?

Tudo isto em meio a crises e rumores de guerra embaladas pela relação nada amistosa entre EUA e URSS, em que o uso de armas de destruição em massa poderiam destruir o mundo a qualquer momento. O planeta vivia o medo da terceira guerra mundial, o medo da evolução ao longo do período atômico e as máquinas também amedrontavam com seus poderes sobrehumanos. O filme abordava muito bem os temores no período em que foi produzido e lançado.


Exterminador do Futuro 4 - Salvação é o último filme da franquia, lançado em 2009 e o primeiro sem o Arnold Schwarzenegger no elenco. Ele foi substituído por computação gráfica numa aparição rápida no finalzinho do filme. 


Exterminador do Futuro não foi só um filme de ação com tiroteio, perseguições e explosões. Tinha um conteúdo interessante embutido em meio a todo espetáculo pirotécnico. Sua sequência, já no início dos anos 90, impressionou pelo uso de técnicas e efeitos especiais sofisticados para a época. 

Embalado pelo sucesso do primeiro filme, o segundo apenas repetiu sequências de eventos semelhantes que haviam ficado marcados. Mas com o uso de computação gráfica, ele conseguiu ampliar ainda mais o sucesso. Já o terceiro filme me pareceu uma forçada de barra. Não empolga como o segundo, pois não traz nada de novo e não consegue expressar uma mensagem que leve a alguma reflexão, como o primeiro havia conseguido fazer. 

Ao que parece, o terceiro filme foi apenas uma sequência pra faturar uma grana com o sucesso. Já o quarto foi melhorzinho, mesmo sem o Arnold em pessoa interpretando o androide assassino clássico, mesmo sem o teor do primeiro filme, mesmo sem nenhum espetáculo de efeitos especiais surpreendentes, ele teve um roteiro legalzinho (eu achei).

Agora há rumores de que um quinto filme entra em produção em breve e de que nele pode estar o velho Arnold Schwarzenegger no papel principal, mesmo com seus 66 anos. A esperança que fica é que os produtores consigam extrair de seus neurônios algo que permita a série trazer reflexões interessantes, como fez em seu início. Que não seja apenas um filme a mais sobre robôs assassinos carregado de pirotecnia e computação gráfica e nem uma sequência sem sentido, só pra arrecadar uma grana com o embalo de um sucesso dos anos 80.

Numa das cenas de destaque do segundo filme, o robô assassino, reprogramado para proteger um dos heróis da resistência humana, olha para duas crianças brincando. Dois garotos correm com armas de brinquedo, improvisadas, nas mãos apontando um para o outro e emitindo sons de tiros, como se duelassem tentando se matar. O exterminador de metal então solta a seguinte frase: “É da natureza de vocês se destruírem”. Isto deixa claro que o problema em nossos avanços tecnológicos não está em cada descoberta, ou invento, mas em nossa natureza selvagem e destruidora, que nos leva a investir contra nós mesmos. Por coincidência, aquele filme foi lançado no mesmo ano em que a Guerra Fria era terminada e o mundo poderia respirar um pouco de paz (exceto no Golfo, onde mais guerras estavam pipocando) Em um filme que apresenta máquinas como monstros assassinos, a cena quebra a ideia de que todo o mal se deve à frieza das máquinas. Traz a responsabilidade para nós, humanos, sobre nosso futuro.