VÔO 402 DA TAM - MANHÃ FATÍDICA



Às 8 horas e 24 minutos do dia 31 de Outubro de 1996 o Fokker 100, matrícula PT-MRK pertencente a TAM Linhas Aéreas, com 90 passageiros e 6 tripulantes a bordo, taxiava no pátio principal do Aeroporto de Congonhas em São Paulo onde se preparava para decolar. Era o vôo 402 com destino ao Aeroporto Santos Dumont, Rio de Janeiro.

Aquela aeronave era especial: fora toda pintada de azul marinho e em sua fuselagem estava escrito em letras garrafais "NUMBER ONE" em comemoração ao prêmio recebido pela TAM como melhor companhia regional do mundo.

Às 8 horas e 26 minutos, a torre autoriza a decolagem. O MRK ingressa na pista 17 Direita, aplica potência máxima e inicia a decolagem. Acelerando em linha reta, o piloto José Antônio Moreno, 35 anos de idade, 9 mil horas de vôo e 5 anos pilotando o Fokker 100, ganharia pelo menos 165 metros de altura quando, então, faria uma curva à esquerda. Seria o caminho certo para levar 90 passageiros e outros seis tripulantes ao Rio de Janeiro.

Mas logo que a aeronave levanta vôo, o Comandante percebe que algo está errado, a aeronave está com a razão de subida muito inferior ao normal e com uma forte guinada a direita. No exato instante em que o avião sai do chão, o reverso da turbina direita se abre e inverte a propulsão daquele motor para trás, como uma marcha à ré. Na cabine, o painel não dá nenhum sinal de alarme, mas o manete de aceleração do motor recua violentamente, puxado por um sistema de cabos de segurança ligado ao reverso. O sistema serve para evitar que o reverso fique aberto com o motor acelerado.

O experiente Comandante juntamente com o 1º Oficial Ricardo Luiz Gomes Martins ouviram finalmente soar na cabine um alerta de nível 2. Logo eles procuraram no painel da aeronave pelo problema. Não detectado, eles responsabilizaram o auto- throttle que, como eles já sabiam, estava quebrado. A reação é imediata, o Comandante olha novamente para os instrumentos e não vê nenhuma informação de pane, aponta para o alto do painel e diz: " Lá em cima! Lá em cima!"  pedindo que o 1º Oficial desligasse o auto- throttle que de alguma forma deveria estar ligado tirando a potência do aparelho. Mas as palavras do 1º Oficial: " Ta em off! Ta em off!"  confirmavam o inexplicável, o auto-throttle estava da mesma forma que fora deixado antes da decolagem, desligado.


O MRK subiu apenas 129 pés (40m), foi rapidamente perdendo altitude e cada vez mais rolando para a direita. Sem potência suficiente, devido aos problemas no reversor e apenas 25 segundos depois de ter levantado vôo e de muita luta da tripulação para mantê-lo no ar, o MRK, quase de lado, com os tanques cheios de querosene e apenas 18 lugares vazios da sua capacidade total, se chocou com um pequeno prédio de três andares.

Transformado numa bola de fogo, bateu sucessivamente em outros dois prédios e destruiu totalmente oito casas. Outras 11 foram atingidas por pedaços da fuselagem. Espalhou labaredas, destroços, pânico e mortes na rua Luís Orsini de Castro. caindo logo depois em várias casas no bairro do Jabaquara matando três pessoas em solo e todos os seus passageiros, causando verdadeiro cenário de horror para os moradores que começavam sua rotina naquela manhã fatídica.




Assista o vídeo do programa "Catástrofes Aéreas" do canal Discovery Channel


Conversa entre o piloto do voo 402 e a torre de controle,
legendada, registrada pela caixa preta do avião