VOO 1907 DA GOL - CHOQUE NO AR

Em 29 de setembro de 2006 um Boeing 737-800 SFP (Short Field Performance) da companhia brasileira Gol Transportes Aéreos, prefixo PR-GTD, com 154 pessoas a bordo, desapareceu dos radares aéreos às 16h48min (UTC-3) enquanto cumpria a etapa de Manaus (MAO) a Brasília (BSB) do voo 1907.

A queda foi decorrente do choque da aeronave com um jato executivo Embraer Legacy 600, prefixo N600XL, que fazia a etapa Brasília-Manaus de seu voo de entrega a um cliente norte-americano, a empresa de táxi aéreo ExcelAire Services Inc.

O Boeing era um avião novo: tinha apenas 234 horas de operação, tendo sido entregue à Gol em 12 de setembro de 2006. A tripulação era formada por seis membros: piloto Décio Chaves Junior, co-piloto Tiago Jordão Cruso, duas comissárias e dois comissários. O piloto, que também era instrutor de voo da Gol, tinha 15 mil horas de voo, das quais 4 mil em Boeing 737, e o co-piloto tinha 4 mil horas de voo.Estavam a bordo 148 passageiros, dos quais 144 brasileiros, um francês, um alemão, um português e um americano.


Recém entregue ao comprador pela Embraer, em São José dos Campos (SP), o Legacy tinha como destino final os Estados Unidos. Por ser um avião novo, teria que obrigatoriamente pousar em Manaus para cumprir rotina de desembaraço alfandegário.

A tripulação era formada pelos pilotos americanos Joseph Lepore, 42 anos, piloto comercial há mais de vinte anos, com mais de oito mil horas de voo, e o co-piloto Jan Paul Paladino, 34 anos, piloto comercial há uma década, com mais de seis mil horas de voo. Também estavam a bordo cinco passageiros: dois representantes da Embraer (um deles o brasileiro Daniel Robert Bachmann, gerente de comunicação e marketing para jatos executivos), dois executivos da ExcelAire (o vice-presidente executivo David Rimmer e o vice-presidente de manutenção Ralph Michielli) e o jornalista Joe Sharkey, colunista do jornal americano The New York Times.

O Legacy decolou de São José dos Campos às 14h51min (UTC-3), atingindo o nível de voo de 37 mil pés na aerovia UW2 às 15h33min (UTC-3). O CTA manteve contato bidirecional com o Legacy até as 15h51min (UTC-3), quando o último contato foi feito com o Centro de Brasília. Neste momento o Legacy estava se aproximando de Brasília.

O jato sobrevoou a vertical de Brasília às 15h55min (UTC-3) e prosseguiu pela aerovia UZ6, alterando sua proa de 006º para 336º. Ao passar por Brasília estava previsto no plano de voo a mudança de altitude de 37 mil pés para 36 mil pés, entretanto, nem o Legacy solicitou esta alteração, tampouco o Centro de Brasília. Às 16h02min (UTC-3) o transponder do Legacy foi desligado inadvertidamente pela tripulação. Isto fez com que o radar secundário do Centro de Brasília deixasse de receber as informações que permitiam associar à aeronave, sua altitude, velocidade e direção à posição horizontal obtida pelo radar primário.

Após uma série de de tentativas de contato entre a torre de Brasília e os pilotos houve uma falta de entendimento e o Legacy tentou falar, sem sucesso, mais sete vezes com a torre, até o momento da colisão com o avião da Gol, às 16h56min (UTC-3). O relatório alerta que não houve qualquer problema de comunicação com o Boeing da Gol e não houve nenhuma comunicação informando sobre tráfego para os pilotos do voo 1907. O choque ocorreu, provavelmente entre a asa esquerda do jato e a asa esquerda do Boeing.


Após o choque, o avião da Gol ficou incontrolável, iniciando imediato mergulho até o solo. A aeronave entrou em curva descendente pela esquerda, em atitude semelhante à conhecida como "parafuso", submetendo o avião a forças muito superiores às especificações do projeto, o que ocasionou rupturas estruturais em pleno ar.

O mergulho descontrolado do PR-GTD fez com que a aeronave excedesse seus limites de estrutura e causou a separação estrutural em voo ("in-flight break up") desta durante a queda, não proporcionando chance de sobrevivência a nenhum de seus passageiros e tripulantes. Após a colisão, o avião da Gol percorreu seis quilômetros em queda. Ele estava em uma altura de 11 km. Com uma velocidade de 800 km/h, teria levado cerca de um minuto para tocar o solo.


Os destroços do avião foram encontrados no dia seguinte, 30 de setembro, em uma área densa de floresta amazônica na Serra do Cachimbo e ficaram espalhados em uma área de aproximadamente vinte quilômetros quadrados.

Os corpos dos ocupantes foram encontrados a distâncias de até um quilômetro da parte da fuselagem que continha o trem de pouso.

Não houve sobreviventes, o que o classifica como o segundo maior acidente aéreo do Brasil, ultrapassando a tragédia do Voo VASP 168, em 1982, em que morreram 137 pessoas no estado do Ceará; e sendo ultrapassado mais tarde pelo Voo TAM 3054, em Julho de 2007, onde morreram 199 pessoas em São Paulo. A Gol alterou o número do vôo que faz a rota entre Manaus-Brasília-Rio. Deixando de identificar como G3 1907 e passando a ser identificada pela sigla G3 1587.

Apesar dos danos do Legacy, a aeronave continuou controlável aos pilotos, que conseguiram realizar um pouso de emergência no Campo de Provas Brigadeiro Velloso, pertencente ao Comando da Aeronáutica (COMAER), na Serra do Cachimbo – PA.

A aeronave e toda a tripulação ficaram detidas após o pouso. Os piloto americano Joseph Lepore e o co-piloto   Jan Paul Paladino foram acusados de estarem testando a aeronave e contra eles foi aberta uma longa e demorada investigação e processos judiciais. Veja o vídeo abaixo do Discovery Channel.