Tróleibus: sistema de transporte que não degrada a natureza está sendo esquecido


Trolébus articulado em Lyon (Foto:Eric TOURNIQUET)
O trólebus é um ônibus movido a eletricidade, que possui duas alavancas coletoras, responsáveis pela captação de energia elétrica transmitida por cabo aéreo suspenso sobre o seu trajeto (rede aérea). 

A alimentação de energia geralmente é especificada em 600 Volts, corrente contínua ou alternada, se mais moderno. É similar aos ônibus convencionais: roda por meio de pneus de borracha sobre pavimento rodoviário normal, e não por meio de rodas metálicas sobre trilhos, como acontece com a maioria dos veículos elétricos (como trens ou bondes). Apesar de dependente da rede aérea, o trólebus pode ser operado em vias normais, misturando-se aos demais veículos. Esta forma, entretanto, anula em parte sua rápida e contínua aceleração, dependendo do volume de tráfego.

Sistema em Nancy (Foto: Jean-Claude VAUDOIS).

A energia chega aos veículos através de hastes denominadas tecnicamente como alavancas ou varas  (trolley pole), que ficam sobre a carroceria, em permanente contato com a fiação específica que acompanha o percurso (esta é diferente da dos bondes, conduzindo carga em dois fios).

Os trólebus têm parte de sua estrutura elétrica baseada nos bondes que nos Estados Unidos são conhecidos como trolleys, daí o nome trólebus.

Sistema em São Francisco (Foto: Peter Ehrlich).


História

Trólebus e bonde, cruzando-se em Bremen, 1911.
Com a grande demanda de veículos automotores chegando às ruas, os bondes, por andarem em trilhos, se tornavam um transtorno nas cidades. Com isso, aproveitando a parte aérea da estrutura dos bondes, foram criados os trólebus.

Em vez de buscar energia na rede composto por um fio e devolver pelos trilhos como os bondes fazem, os trólebus buscam a energia por um fio e devolvem por outro que corre paralelo, através das alavancas em cima dos veículos. 

Com isso os trólebus poderiam ultrapassar os carros e encostar nas calçadas, coisa que os bondes não poderiam fazer. Os trólebus circulam em muitas cidades ao redor do mundo, como Nova Iorque, Buenos Aires, Londres (que inclusive possuiu trólebus de dois andares) e Coimbra.


Brasil



No Brasil os trólebus surgiram em 1949 na cidade de São Paulo.Vários sistemas seriam criados entre os anos 1950 e 1960 como os do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Niterói, Porto Alegre, Salvador, Campos dos Goytacazes, Fortaleza entre outros, sendo a maioria destes extintos até o início da década de 1970. 

Restariam, daquela época, apenas os sistemas de São Paulo, Recife, Santos e São Bernardo do Campo. 

No entanto a partir dos anos 90 os Trolébus foram ficando esquecidos e sendo sucateados pela falta de investimento no sistema. Foram extintos os sistemas de Rio Claro em 1993, Ribeirão Preto em 1999, Araraquara em 2000 e o de Recife em 2001. 

Foto: Trólebus GE da CMTC em 1954

Veja mais fotos de trens, ônibus e outros transportes aqui:
http://migre.me/bjJZ6
Trolébus de São Paulo da década de 1950.
 (Foto: Facebook da cidade de S. Paulo)

Santos sofreria uma redução drástica entre os anos de 1993 e 1996, com a retirada de mais de 50 carros de circulação e a manutenção de apenas uma, das sete linhas antes existentes. O sistema foi privatizado em 1998, e, atualmente, apenas seis carros circulam no sistema municipal daquela cidade em uma linha, a 20, ligando o Centro ao Gonzaga. Há planos de se criar uma linha turística de trólebus na cidade. Por outro lado, foi solicitado o tombamento do sistema de trólebus de Santos, em tramitação. Ainda há trolébus em funcionamento em São Paulo, capital.

Trolébus moderno utilizado na cidade de São Paulo.

Vantagens e Desvantagens

Vantagens:

  • Maior potência nas subidas.
  • Trata-se de um veículo mais silencioso que os convencionais.
  • Não polui o meio ambiente, pois não solta as partículas e gases que provêm de motores a explosão.
  • É mais confortável para passageiros e motoristas, já que não possui câmbio de troca de marchas (evitando os solavancos típicos desse processo) e motor frontal que gera calor.
Desvantagens

  • Sua fiação degrada o ambiente visual.
  • Depende da existência de fiação (rede aérea) para se locomover.
  • Não podem ultrapassar outros trólebus que estiverem à sua frente.
  • Possibilidade de queda das alavancas de contato com a rede aérea, interrompendo a circulação do veículo até à sua reposição (foto abaixo).
Uma desvantagem: falta de energia para o sistema.

Algumas de suas desvantagens foram solucionadas ou minimizadas, como ocorreu após o desenvolvimento de uma marcha autônoma que, quando ocorre queda da energia, o motor continua funcionando em sistema híbrido ou possui um segundo motor a diesel. A fiação pode ser melhorada com sistema flexível, que minimiza ou até mesmo impede a queda da alavanca do veículo. O visual da fiação poderá melhorar com a instalação de postes arquitetônicos (foto abaixo).



Levando em consideração os gastos que um ônibus convencional tem, além da poluição, os trolébus são considerados um meio de transporte limpo e eficiente, principalmente em países que utilizam hidroelétricas para obter energia elétrica, como é o caso do Brasil.
Corredores modernos podem resolver a poluição visual causada pelos cabos (Foto: Sergio Martire).

Esquema de alguns elementos básicos do trolébus:




Fontes:
pt.wikipedia.org/
http://www.respirasaopaulo.com.br
http://www.trolebusbrasileiros.com.br
Google Imagens
Youtube