Camisa de Vênus



Aqui vai um post sobre uma banda muito cultuada no cenário do rock brasileiro e que, com seu estilo irreverente, mantém até hoje uma legião de fãs em todo o Brasil e em Salvador, Bahia. A Banda é nada mais nada menos que:

Camisa de Vênus



Camisa de Vênus é uma banda de rock brasileiro que foi formada em Salvador em1980 e encontra-se em atividade até hoje. Fez grande sucesso no cenário brasileiro dos anos 80, sendo uma banda tida como mais "suja" do que as outras pelo seu nome (na época era muito utilizado como sinônimo de preservativo) e pelos palavrões nas letras.

Com o sucesso dos shows, a banda atraiu a atenção da mídia dos anos 80 e seguia arrebatando fãs, conquistando também o sudeste-sul do país (algo inédito para uma banda baiana tocando Rock), obtendo reconhecimento de crítica e público. A banda emplacou outros diversos sucessos,”Eu Não Matei Joana D’Arc”, “Simca Chambord”, “Deus Me Dê Grana, “ Lena” e “Só o Fim” e também realizou uma façanha, até então , também sem precedentes; lançou o primeiro álbum duplo do rock nacional: “Duplo Sentido”, que, embora não tenha sido um estrondoso sucesso, alcançou a marca de 40 mil discos vendidos; considerável para época, e levando-se em conta que esse lançamento sequer contou com uma turnê de divulgação.


História


A banda foi formada em 1980 quando Marcelo Drummond Nova, que trabalhava na rádio Aratu em Salvador, conheceu Robério Santana, que trabalhava na TV Aratu.Conversando sobre música os dois descobriram que tinham gostos em comum e decidiram montar uma banda. Marcelo Nova seria o vocalista e Robério Santana o baixista. Robério resolveu chamar seu amigo Karl Franz Hummel para assumir a guitarra base e este, por sua vez, chamou seu amigo Gustavo Adolpho Souza Mullem para tocar bateria. Se juntou ao grupo o guitarrista solo Eugênio Soares.

Marcelo Nova.

O Rock da Bahia com sotaque nacional

Foto antiga da banda Camisa de Vênus.

'Bota pra f…' Esse era o grito de guerra criado pelo público dos shows do Camisa de Vênus. A banda , criada em 1980, possui uma das trajetórias mais interessantes do Rock brasileiro. 

A banda surpreendeu o cenário do rock dos anos 80, tanto local quanto nacional, com seu punk rock sujo, incrementado por letras ácidas e críticas à mentalidade medíocre da classe média, uso de palavrões, e um público fiel que marcava presença nas apresentações da banda na capital baiana. 

O camisa de Vênus , nos tempos áureos de sua atividade lançou, na década de 80, os álbuns “Controle Total” – um compacto-; “Camisa de Vênus”; “Batalhões de Estranhos” e “Viva – Ao Vivo”, Todos bem recebidos e que emplacaram muitos sucessos. 
Capa do primeiro álbum do Camisa de Vênus.
Os primeiros sucessos em shows foram as músicas “Meu Primo Zé” e “Controle Total”, que fizeram parte do primeiro compacto lançado pela banda, e funcionavam como hinos para o público. O lado A continha uma música "chupada" de Complete Control do The Clash, mas com uma letra que falava da vida na Bahia. Já o lado B era composto de uma versão da música My Perfect Cousin do The Undertones. O compacto foi lançado em julho de 1982.

Meu Primo Zé ao vivo -1987

Controle Total ao vivo - 2010

Após o compacto, a gravadora decide dar a oportunidade deles gravarem um álbum. A Som Livre se interessa em lançar nacionalmente o álbum. Então, Marcelo Nova é chamado para uma reunião com os executivos da gravadora Som Livre e neste encontro, eles expõem um "problema" para Marcelo Nova: o nome da banda atrapalharia a divulgação do primeiro trabalho (nos jornais o Camisa de Vênus era tratado como "Camisa de…"). Eles sugeriram que o nome fosse trocado por outro "melhor". Marcelo Nova diz que aceitaria a troca de nome e propõe que o novo nome seja "Capa de Pica".

Esta reunião selaria o destino do Camisa de Vênus na gravadora Som Livre e o seu primeiro álbum homônimo, lançado em 1983, teria a distribuição prejudicada. O álbum continha a música Bete Morreu, que faria sucesso nacionalmente, mas que, pouco tempo depois, teria a sua execução radiofônica proibida em todo o território nacional pela censura da ditadura militar.

Bete Morreu

Após o lançamento, a banda fica quase um ano sem gravadora, mas acaba assinando com a RGE. Assim, em 1985, sai o segundo álbum da banda, chamado Batalhões de Estranhos. O disco traz uma banda mais madura e com melhores recursos de estúdio à sua disposição, o que proporciona a realização de um som mais polido e menos agressivo. O segundo álbum da banda traz mais um sucesso radiofônico, Eu Não Matei Joana D'Arc.
Eu Não Matei Joana D'Arc.

O álbum "Viva" foi lançado em 1986 e, quando estava com cerca de 40 mil cópias vendidas foi recolhido pela Polícia Federal por ordens da censura. O próprio Marcelo Nova presenciou cópias de seu disco sendo recolhidas em São Paulo. Após este episódio, o álbum teve oito de suas dez músicas censuradas por conterem linguagem inapropriada. Entretanto, com a volta às vendas, apesar da proibição de execução radiofônica e, talvez, devido ao impulso conseguido com as notícias da censura do álbum, suas vendas atingem a marca de 180 mil.

Ainda em 1986, entram em estúdio novamente e gravam o álbum "Correndo o Risco", o primeiro pela gravadora Warner. O álbum é produzido por Pena Schmidt numa parceria que se encerraria apenas com o fim da banda. Ele vende 300 mil cópias e a música Só O Fim torna-se a mais tocada nas rádios naquele ano. Além da já citada, são destaques do álbum as músicas Simca Chambord e Deus Me Dê Grana.

Só O Fim

Simca Chambord

Deus Me Dê Grana


Término da banda

Marcelo Nova e Raul Seixas.
Após mais uma turnê, a banda se reúne em estúdio para gravar um novo álbum. Chamam Raul Seixas para uma participação, o que resulta na composição e gravação de Muita Estrela, Pouca Constelação. 

Assim, em outubro de 1987, lançam o primeiro álbum duplo do rock nacional, "Duplo Sentido". A recepção ao álbum é inferior ao último, talvez em reflexo do grande número de músicas. Apesar disto, as vendas somam cerca de 40 mil, mesmo sem uma grande turnê de divulgação.

Desde o disco anterior da banda, Marcelo Nova vinha pensando em sair para seguir novos rumos. Também as relações entre os membros estavam desgastadas pelos vários anos de convivência. 

Então, logo após o lançamento deste álbum, ele anuncia à banda que estava deixando o grupo para seguir carreira solo, mas que eles poderiam continuar se quisessem. Entretanto, os demais membros decidem encerrar a carreira do grupo.


Volta em 1995

Em meados de 1995, Karl Hummel ligou para Marcelo Nova querendo voltar com a banda. Para convencer Marcelo Nova disse que tinha ouvido outro dia na TV que o Skank era a "nova sensação do rock nacional" e que, por isso, eles precisavam voltar. Eles chamam Robério Santana para reassumir o baixo, mas Gustavo Mullem e Aldo Machado decidem não participar. Gustavo Mullem estava trabalhando no exterior e Aldo Machado tornou-se cristão e não desejava mais tocar com o Camisa.

Capa do álbum "Plugado".
Para completar a banda, Marcelo Nova reúne metade do Camisa de Vênus original com metade da sua banda de apoio (Banda Envergadura Moral). 

Assim, completam a formação dois músicos antológicos do rock nacional, Luis Sérgio Carlini na guitarra solo e Franklin Paolillo na bateria, além de Carlos Alberto Calazans nos teclados, músico que acompanhava Marcelo Nova desde a sua saída do Camisa de Vênus.

Com esta nova formação o Camisa inicia uma série de shows e assina com a Polygram um contrato para o lançamento de 2 álbuns. 

Ainda em 1995, gravam um show realizado no Aeroanta, em São Paulo, e lançam o álbum ao vivo "Plugado!". O álbum teve boa repercussão, apresentando o Camisa para uma nova geração de fãs.

Para consolidar esta fase, no ano seguinte, a banda entra em estúdio para gravar o disco "Quem É Você?". Este álbum conta com a participação de Eric Burdon, lendário vocalista do The Animals, dividindo os vocais com Marcelo Nova e, também, produzindo um cover de Don't Let Me Be Misunderstood. Além disto, conta também com a participação dos Raimundos na faixa Essa Linda Canção, que recebeu grande repercussão na MTV.

Essa Linda Canção com a banda Raimundos

Após um ano em turnê, Marcelo Nova decide terminar com o Camisa de Vênus novamente e voltar com a sua carreira solo, no ano seguinte.

Reunião em 2004

Em janeiro de 2004, a banda se reúne para tocar na 6ª edição do Festival de Verão de Salvador e, também, para realizar outros shows. O Camisa se apresenta com Marcelo Nova, Karl Hummel e Gustavo Mullem, da formação original, e mais Lu Stopa no baixo, Johnny Boy nos teclados e guitarra adicional, e Denis Mendes na bateria como banda de apoio.

É gravado um DVD ao vivo com a apresentação do Camisa de Vênus no festival de verão que é lançado no mesmo ano. Ao fim do ano, o Camisa de Vênus volta a se separar.

Reunião em 2007

Em 2007, se reúnem para uma turnê com alguns shows pelo Brasil, e também gravam um DVD ao vivo a partir de um show em Divinópolis. Nesta reunião a banda é formada por Marcelo Nova, Karl Hummel, Robério Santana e Gustavo Mullem, da formação original, mais Luiz Carlini e Denis Mendes.

Hoje


Sem Marcelo Nova

Em 2009, a banda anuncia a volta oficial, porém, não conta com a presença do vocalista Marcelo Nova, do baterista original Aldo Machado e nem do baixista Robério Santana. Ambos foram substituídos por Eduardo Scott (ex-Gonorréia) nos vocais, Louis Bear na bateria, e Jerry Marlon, no baixo. Recentemente, a banda lançou de forma independente a coletânea "Mais Vivo do Que Nunca", com Scott interpretando os clássicos que foram eternizados na voz de Marcelo.

O ponteiro tá subindo - 2010


Novo Álbum

'Dançando na Lua' está previsto para sair em agosto deste ano (Foto: Reprodução/Site Oficial)Em turnê desde 2015, comemorando o 35º aniversário da banda, o Camisa de Vênus anunciou nesta semana que, após 20 anos, vai lançar um novo álbum de músicas inéditas. "Dançando na Lua" está programado para sair no próximo mês de agosto, e segundo Marcelo Nova, fundador e vocalista da banda, será um álbum dinâmico, agressivo, mas mostrando o que a banda é atualmente.

"O disco tem todas as características do Camisa, porque o monstro é o mesmo, mas o bicho tem duas cabeças", brinca Marcelo

Ao longo dos anos, paralelamente à sua carreira solo, Marcelo reuniu o grupo outras vezes e, em 2015, iniciou a turnê dos 35 anos. Além de Marcelo Nova, atualmente o Camisa de Vênus é formado por Robério Santana (baixista e membro original), Drake Nova (guitarra), Leandro Dalle (guitarra) e Célio Glouster (bateria).



Camisa de Vênus (Foto: Divulgação)Marcelo conta que a decisão de gravar um novo álbum surgiu durante a turnê dos 35 anos da banda. "No fim de 2015, eu constatei que a banda, que estava comemorando 35 anos de história e tinha seu último trabalho em 1996, teria um fim de turnê melancólico", afirma.

"Eu poderia ter ficado tranquilo, deitado nos hits e canções que criei no passado e viver disso. É confortável. As pessoas se sentem mais à vontade quando você as coloca na zona de conforto, já estão acostumadas com as canções, cresceram e envelheceram ouvindo as canções. Era um exercício de nostalgia. E eu pensei: 'Foda-se a nostalgia'", acrescenta.

Sobre a sonoridade do ábum, ele diz que é o Camisa de Vênus dos dias de hoje. "É um álbum com o som do Camisa em 2016. Não tem nada de retrô, nem uma busca pela sonoridade perdida em um ponto. Nos anos 90, quando gravamos o 'Quem É Você' [último disco de inéditas da banda, de 1996], a última coisa que eu queria era soar como nos anos 80. Imagina em 2016? Vinte anos depois do 'Quem é Você', a última coisa que quero é soar como 1996, e muito menos com 1986",

Para Marcelo, as guitarras de Drake e Leandro se destacam no novo disco. "O Camisa tem hoje dois guitarristas que interagem o tempo todo. É muito interessante. Um complementa o outro. Eles desenvolveram uma relação musical entre eles sem competição, sem ego, sem vaidade, em beneficio do som da banda, da qualidade sonora. E os dois tocam muito bem. Então, evidentemente que esse é um disco de baixo, guitarra e bateria, mas com duas guitarras que interagem muito", diz Marcelo.

A partir da esquerda: Leandro Dalle, Drake Nova, Marcelo Nova, Robério Santana e Célio Glouster (Foto: Reprodução/perfil oficial do Facebook)
Nova formação da banda.

No vídeo que a banda soltou anunciando o lançamento do álbum, uma imagem, que especula-se seja a capa do trabalho, chama a atenção. Nela, há um céu estrelado, à noite, a lua em evidência, com o logo da banda e o título do álbum. Marcelo preferiu manter o mistério com relação à imagem. "Aquilo foi um 'teaser' pra anunciar o disco, mas se você observar a lua com atenção, não vai ver São Jorge e nem o dragão", adverte o músico, enquanto cai em gargalhadas.

O artista também revelou que, após o lançamento de "Dançando na Lua", a banda vai voltar para a estrada. "O próximo desafio vai ser levar o disco para o palco. Vamos poder mixar as canções antigas com as novas, e eu estou pensando em 'meter' metade do disco novo no show", conta Marcelo, que justifica a ideia. "Com todo respeito que tenho a Chuck Berry - tenho uma foto aqui em minha casa dele tocando com minha guitarra, que mostro a meus netos, e enquanto vierem mais netos, vou continuar mostrando -, mas não vou passar a vida tocando "Carol", "Maybelline" e "Johnny B Good".


Eternos

O som da Banda Camisa de Vênus é cultuado por muitos até hoje e a sua marca, também até hoje, está associada à imagem de rebeldia e inconformismo crítico. Assim como Raul Seixas, um dos grandes legados da Bahia ao rock nacional.

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