Aviões supersônicos: o Tupolev TU-144 e o Concorde - a história

No final da década de 1950 era de interesse das agências americana, francesa, inglesa e soviética a criação de uma aeronave supersônica de transporte de passageiros. Cada um dos países possuía seu próprio projeto. Este post mostra como foram os anos de existência dessas aeronaves supervelozes.


Tupolev Tu-144

O Tupolev Tu- 144

O Tupolev Tu-144 é um avião supersônico construído pelo fabricante russo Tupolev. O primeiro voo de um protótipo do Tu-144 levou-se a cabo a 31 de dezembro de 1968 perto de Moscou, dois meses antes que o Concorde. 

O Tu-144 cruzou por primeira vez a barreira do som a 5 de junho de 1969 e em 15 de julho de 1969 converteu-se no primeiro transporte comercial que excedeu o Mach 2. No ocidente, foi apelidado deConcordski, em referência ao Concorde.




História

O primeiro protótipo (CCCP-68001) voaria em dezembro de 1968. Porém o primeiro exemplar de pré-série (CCCP-77101) acabou saindo com uma configuração um pouco diferente do protótipo. Durante o programa de testes, o avião atingiu Mach 1 (a velocidade do som) em junho de 1969 (3 meses antes do concorrente franco-britânico), e superou, como primeiro avião comercial do mundo, a marca de Mach 2 (duas vezes a velocidade do som), em maio de 1970.

Na mostra aeronáutica de Paris, em 3 de junho de 1973, o programa de desenvolvimento do Tu-144 sofreu um severo revés com o acidente do primeiro Tu-144S que após uma manobra, sofreu uma desintegração em pleno ar e acabou caindo durante a apresentação.


Os testes em rota começaram a ser feitos pela Aeroflot em dezembro de 1975, na rota Moscou–Alma-Ata, no Cazaquistão, e em novembro de 1977 começaram os vôos regulares entre as duas cidades, serviço que foi interrompido em junho de 1979 após mais um incidente com um modelo do avião ocorrido em 1978.

Até o término da produção, 17 TU-144 foram construídos. Atualmente, apenas 11 apresentam capacidade operacional.

A capacidade máxima autorizada é de 167 passageiros e, ao contrário do seu correspondente, o Concorde, permite 5 assentos por fileira, com um corredor central. Externamente, o Túpolev Tu-144 é muito parecido com o seu concorrente — destacam-se no Tu-144 os canards (pequenas asas dianteiras) retráteis e o desenho de suas asas que têm cortes retos— usando 4 turbinas Kuznetsov Nk-144 (20.000 kg de impulso cada).

O último vôo de um TU-144 foi realizado pela aeronave número 08-2, prefixo RA-77114, em 14 de abril de 1999, com origem e destino a base aérea de Zhukovsky, perto de Moscou. Foi o último voo do programa de pesquisa conjunta realizada pela empresa Tupolev, da NASA e de outras empresas


O Concorde



No começo da década de 1960, devido aos enormes custos deste tipo de projeto os governos de Inglaterra e França decidiram juntar forças. E em 28 de novembro de 1962 foi assinado um tratado entre a companhia britânica British Aircraft Corporation (BAC) e a companhia francesa Aérospatiale, que juntas tornariam realidade o projeto da aeronave supersônica para passageiros.


No início do projeto, o Concorde tinha cerca de 100 pedidos das companhias mais importantes do mundo: além da Air France, Pan Am e BOAC (que futuramente se tornou a British Airways), que eram as companhias lançadoras do projeto do Concorde, faziam parte desta lista companhias como a Japan Airlines, Lufthansa, American Airlines, Qantas, TWA, etc.

A construção das duas primeiras aeronaves protótipo começou em fevereiro de 1965. O Concorde 001 foi construído pela Aerosptiale em Toulouse enquanto que o Concorde 002 foi construído pela BAC em Filton. O Concorde 001 descolou para seu primeiro voo de teste em 2 de março de 1969, sendo que o primeiro voo supersônico foi realizado no dia 1º de outubro do mesmo ano.


Em 4 de setembro de 1971 o Concorde começou a sua série de voos de demonstração em sua turnê pelo mundo afora, inclusive inaugurando o Aeroporto Internacional de Dallas-Fort Worth em 1973 quando a aeronave visitou os Estados Unidos. Estes voos de demonstração fizeram com que o Concorde acumulasse um número de pedidos de mais de 60 aeronaves.

Entretanto, uma avalanche de cancelamentos nos pedidos se iniciou devido a uma conjunção de vários fatores, como: a crise do petróleo dos anos 1970, dificuldades financeiras por parte dos parceiros das companhias aéreas, a queda do concorrente russo do Concorde, o Tupolev Tu-144, e alegados problemas ambientais como ruído (sonic boom) e poluição. No final, apenas Air France e British Airways sobreviveram como únicas compradoras do Concorde.

Ambas as companhias europeias realizaram uma série de voos testes e voos de demonstração ao redor do globo com o Concorde a partir do ano de 1974. Nestes voos foram estabelecidos alguns recordes aeronáuticos que ainda hoje não foram superados. No total, foram realizadas 5.335 horas de voo com os três modelos do Concorde, o protótipo, o modelo de pré-produção e o modelo final de produção. No total, foram realizadas cerca de 2000 horas de testes em voo supersônico. Estes números são quatro vezes maiores do que qualquer outra aeronave subsônica de tamanho semelhante.

Em 21 de janeiro de 1976 o Concorde começou seus voos comerciais, com um voo ligando Paris ao Rio de Janeiro (fazendo uma escala em Dakar). Voar no Concorde era uma experiência única. Tendo uma velocidade de cruzeiro em torno de 2,5 vezes a de qualquer aeronave de passageiros (1.150 nós contra 450 nós, sendo 1.292 nós o recorde em 19 de Dezembro de 1985), ele foi capaz de um feito memorável: um Concorde e um Boeing 747 da Air France decolaram ao mesmo tempo, o Concorde de Boston e o Boeing 747 de Paris. O Concorde chegou em Paris, ficou uma hora no solo e retornou a Boston, pousando 11 minutos antes do Boeing 747.

Turbulência era uma coisa que raramente o Concorde enfrentava, devido à grande altitude em que ele voava. Olhando pela janela podia-se ver claramente a curvatura da Terra, e a aeronave era mais rápida que a velocidade de rotação da Terra e isso se fazia notar quando ela decolava após o pôr do sol de Londres e chegava a Nova Iorque ainda de dia. Porém, por se tratar de um avião supersônico, o Concorde emitia muito ruído e poluição e assim por muito tempo ele não pôde pousar nos EUA por causa de leis ambientais.


O serviço de passageiros no Concorde permaneceu sem acidentes por cerca de 24 anos, atendendo regularmente, além de Nova Iorque e Washington, as cidades de Miami, Bridgetown (Barbados), Caracas, Ilha de Santa Maria, Dakar, Bahrain, Singapura, Cidade do México e Rio de Janeiro. Ao longo destes anos, o avião rodou o mundo nas duas direções, visitando todos continentes, exceto a Antártica.

Porém, em 25 de julho de 2000, um Concorde da Air France (Voo Air France 4590) acidentou-se (com perda total) por causa de uma peça de um DC-10 da Continental Airlines que estava no meio da pista e havia decolado 5 minutos antes do Concorde, causando a paralisação de toda a frota francesa e britânica. Este acidente foi o começo do fim para o Concorde. Uma série de problemas nas outras aeronaves foram surgindo à medida que se inspecionavam a frota, e com todos os questionamentos da mídia e eventos contra, foi decidido pelo fim da era concorde.

Um cinegrafista amador filmou o incêndio que acabou derrubando o concorde matando todos os seus tripulantes e passageiros. Veja o vídeo:


Após o acidente, o Concorde sofreu algumas modificações e 15 meses depois ele voltou ao serviço de passageiros. Porém, em 10 de abril de 2003, Air France e British Airways decidiram juntas encerrar os voos comerciais do Concorde. A Air France encerrou os voos do Concorde em 31 de maio de 2003 enquanto que a British Airways encerrou os voos em 24 de outubro do mesmo ano.

O último voo oficial do Concorde foi dado a cabo por um modelo da British Airways, em 26 de novembro de 2003 para a sua casa natal (Filton/Inglaterra), em que foram realizadas homenagens ao Concorde, como o movimento do "Bico" (levantamento e abaixamento), logo depois seus motores foram desligados fechando um dos mais gloriosos capítulos da aviação.

Último vôo do Concorde

O Concorde foi um dos dois aviões supersônicos de passageiros que operaram na história da aviação comercial, sendo o outro o soviético Tupolev Tu-144. Possuía uma velocidade de cruzeiro de Mach 2.04 (algo entre 2.346 km/h e 2.652 km/h), e um teto operacional de 17.700 metros de altura (aproximadamente 58.070 pés). Voos comerciais começaram em 21 de janeiro de 1976 e terminaram em 24 de outubro de 2003. Foi operado apenas pela Air France e British Airways.

Apesar do alto custo do projeto e de diversas críticas recebidas, principalmente quanto à poluição ambiental e sonora, além da percepção do público de que os voos do Concorde eram um privilégio apenas dos ricos, a aeronave operou comercialmente por mais de 20 anos, sendo aposentada apenas em 2003, depois de crise na indústria aérea gerada com o ataque de 11 de setembro.

Por 27 anos, os aviões Concorde fizeram viagens internacionais muito rápidas
 (Fonte da imagem: Heritage Concorde)

Nesse meio tempo, o Concorde ficou famoso por feitos memoráveis. Enquanto aviões comuns levavam 8 horas para ir de Nova York até Paris, o Concorde fazia o trajeto em apenas 3,5 horas. Segundo a Folha, uma viagem transatlântica em uma dessas aeronaves custava cerca de US$ 9 mil, valor muito acima de uma passagem de primeira classe em um Boeing 747.

Devido ao alto custo de manutenção e ao número insuficiente de passageiros com o qual a aeronave costumava operar, o modelo foi aposentado. Seu último voo aconteceu no dia 24 de outubro de 2003, tendo como destino o aeroporto Heathrow, em Londres. Desde então, os Concordes se tornaram atrações em museus.


O mundo pós-Concorde

Por enquanto, continua em aberto a vaga de um novo avião supersônico para voos comerciais. Mas alguns projetos em andamento prometem mudar isso nos próximos anos, fazendo com que uma viagem de Nova York para a Austrália, por exemplo, dure apenas 4 horas.

Cabine do Concorde, que alcançava velocidade de Mach 2 (Fonte da imagem: Wikipedia)

Se o mundo já se espantou com o Concorde, avião supersônico que voava à velocidade de Mach 2, ele não perde por esperar as aeronaves hipersônicas, ou seja, que atingem uma velociade cinco vezes maior do que a do som (Mach 5). Para isso, problemas de engenharia e limites físicos têm sido estudados e superados frequentemente, com soluções inovadoras e capazes de deixar qualquer um otimista.

Fontes: http://www.tecmundo.com.br
Wikipedia
Youtube
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