O desastre do Hindenburg


DIRIGÍVEL - O desastre do Hindenburg


Era tarde de 6 de maio de de 1937. O maior dirigível do mundo estava atrasado para a chegada em Lakehurst, nos EUA. A tempestade que obrigara o Hindenburg a voar mais lento ainda se fazia ouvir quando os cabos de aterrissagem foram jogados. 

No solo havia um pelotão de jornalistas e câmeras, uma pequena multidão aguardando os passageiros e uma equipe de 200 funcionários que seria responsável por trazer o dirigível lentamente para o chão. A bordo havia 38 passageiros e 59 tripulantes.

Até então conhecido como a maior e mais segura aeronave já construída, o dirigível Hindenburg, orgulho da Alemanha de Hitler, cumpria regularmente suas rotas de vôo nos céus do oceano Atlântico, convencendo o mundo de que apesar dos desastres ocorridos com aparelhos semelhantes, tanto britânicos como norte-americanos, as viagens que realizava não ofereciam o menor risco a quem delas participasse.

O dirigível sobre a cidade de Nova Iorque.

Seu comandante era o capitão Max Pruss, que fazia cumprir fielmente as severas regras de segurança de vôo a que todos estavam sujeitos. Dos passageiros confiscavam-se, na hora do embarque, todos os artigos de fumantes, enquanto os tripulantes usavam botas de feltro e trajes apropriados, desprovidos de botões metálicos. Além disso, a pressão do ar nos camarotes era suficiente para contornar qualquer problema de escapamento do hidrogênio. O Hindenburg era um meio luxuoso de viajar. Seus passageiros degustavam os melhores pratos e vinhos enquanto a nave cruzava os céus a 120 km/h.

 
Sala de jantar do dirigível. Os passageiros tinham uma visão panorâmica.

O primeiro sinal de que algo ia mal veio quando alguém percebeu um brilho azulado de atividade elétrica dançando pelo lado estibordo da nave. Um dos passageiros a bordo posteriormente descreveu o que viu:

"Quando eu e minha esposa nos debruçávamos pela janela no convés de passeio (...) ouvi um estampido seco vindo de cima, pouco mais alto que uma garrafa de cerveja sendo aberta. Voltei os olhos para o nariz da nave e notei um brilho róseo delicado, como se o sol estivesse para nascer. Imediatamente compreendi que o dirigível estava em chamas."



O dirigível em chamas recai sobre o solo, enquanto pessoas correm desesperadas.
Com o testemunho de uma multidão horrorizada e o registro de uma inesquecível filmagem feita do solo, o Hindenburg repentinamente inflamou-se, pairando no ar por um instante agonizante, e então lentamente, como se sedado, espatifou-se de encontro ao chão. A narração ao vivo da tragédia foi gravada ao microfone pelo emocionado repórter Herb Morrison: “É uma das piores catástrofes do mundo. É um acidente terrível, senhoras e senhores... E os passageiros todos!”

O desastre aéreo foi gravado e você pode ver imagens originais do dirigível e do seu acidente no vídeo abaixo:


A equipe de solo teve de correr para salvar suas vidas. Um de seus membros se lembrou daquele instante horrendo:

Começamos a correr o mais rápido que podíamos, rezando na mesma velocidade. O calor, a luz e a fumaça da explosão do hidrogênio, e a percepção de que estávamos sob um enorme monstro em chamas que afundava nos deixou com a sensação de estarmos presos... O monstro inflamável caiu logo atrás de nós, a parte traseira batendo no chão primeiro. (...) Correndo com a cabeça virada para trás, ouvi uma mensagem do alto-falante: “Vocês estão em segurança, voltem e nos ajudem”.

Todos os que tinham condições de ajudar correram de volta para os destroços em chamas para tentar resgatar os sobreviventes. Incrivelmente, 61 das 97 pessoas a bordo foram retiradas com vida.

Hindenburg
O acidente ocorrera próximo ao atracadouro.

 Possíveis Causas do acidente

Logo depois do acidente, imediatamente presumiu-se que o hidrogênio no dirigível de alguma forma se incendiara, realizando as previsões de muitos que avisavam que hidrogênio era muito perigoso para ser usado em transporte público. Na verdade, uma nave menor, a Graf Zeppelin, lançada em 1928 pela primeira vez, já havia transportado mais de 18 mil passageiros em 144 vôos transatlânticos sem nenhum problema. Mas o desastre do Hindenburg foi, apesar disso, um golpe fatal para a indústria dos dirigíveis.

As investigações conduzidas pelos governos norte-americano e alemão concluíram que um vazamento de hidrogênio fora a causa, devido talvez a uma correia solta. Relatórios oficiais afirmaram que uma mistura de ar e hidrogênio se acumulara sob a cobertura do dirigível, e inflamou-se com uma faísca causada pela tempestade.

Curiosamente, nenhum dos sobreviventes se lembrava de ter sentido um cheiro forte antes do acidente, embora o gás tivesse sido aromatizado a alho para que qualquer vazamento fosse identificado rapidamente.

Nos anos subseqüentes houve boatos de que as investigações tinham sido falsas e que a tragédia não fora acidental. Hermann Goering, ministro da Aviação do Terceiro Reich, deixou escapar que suspeitava de sabotagem. Graças à “síndrome de Hindenburg” o uso do hidrogênio como recurso energético foi descartado.

Coube ao pesquisador da NASA Addison Bain descobrir a verdade, mais de 60 anos depois do desastre. Gerente do programa de hidrogênio no Centro Espacial Kennedy, Bain questionava as explicações oficiais sobre o desastre do Hindenburg.

Local do acidente. A vista mostra o cenário da destruição.

A mídia referia-se invariavelmente à explosão do Hindenburg, embora a filmagem mostrasse com clareza que o balão queimara lentamente, levando 34 segundos para ir ao chão. Uma explosão de hidrogênio teria destruído o dirigível, matando instantaneamente todos a bordo e muitos no chão 

O Hindenburg tinha 245 m de comprimento, 41,5 m de diâmetro, voava a 135 km/h com autonomia de 14 mil quilômetros e tinha capacidade para conduzir 50 passageiros e 45 tripulantes. Já sua nave-irmã, o Graf Zeppelin, tinha 213 m de comprimento, 5 motores, transportava 35 passageiros e 45 tripulantes.



Fontes:
www.youtube.com
www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br
www.pessoas.hsw.uol.com.br
www.fotosdomundo.com.br