Aeroscraft, o dirigível do século 21


Conheça o Aeroscraft, o dirigível do século 21 que pode revolucionar o transporte áereo.




A empresa Aeros resolveu ressuscitar os dirigíveis. Inspirado no famoso Conde Zeppelin a empresa constrói dirigíveis em três versões: militar, para cargas e a versão luxuosa (foto ao lado).

O Aeroscraft é um veículo "mais-pesado-que-o-ar" em desenvolvimento para uso em um futuro próximo - um protótipo poderá estar pronto em 2010. Ele será capaz de carregar imensas quantidades de carga e transportar centenas de passageiros usando motores elétricos silenciosos. Será capaz também de decolar e aterrissar sem pista de pouso. O Aeroscraft é uma espécie de híbrido: é preenchido com hélio, como um dirigível, mas seu formato lhe permite alçar vôo como um avião.



O Aeroscraft

O transporte de mercadorias e passageiros por balões dirigíveis praticamente desapareceu no final dos anos 30, depois do desastre do dirigível Hindenburg. O aparelho pegou fogo quando avançava para a torre de amarração na base naval de Lakehurst, em Nova Jersey, Estados Unidos matando 36 pessoas. 

Desde então, aparelhos mais-leves-que-o-ar foram usados basicamente em publicidade ou em tomadas aéreas para câmeras de televisão. Nos últimos anos, diversas empresas têm apresentado ao mundo dirigíveis mais seguros e eficientes. Entre elas, a Zeppelin Company, fabricante do Hindenburg, e a Worldwide Aeros Corp., desenvolvedora do Aeroscraft.

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Os antigos dirigíveis.
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O dirigível Hindenburg pegou fogo quando avançava para a torre de amarração. 
Os projetistas imaginam o Aeroscraft operando como um luxuoso transatlântico que navega no ar em vez de no oceano. Até 250 passageiros viajarão com conforto e estilo, com dormitórios, restaurantes, um cassino e outras facilidades. O Aeroscraft será capaz de sobrevoar pontos turísticos, proporcionando aos passageiros uma vista fabulosa, mesmo que a paisagem esteja situada no meio de uma selva. A versão de passageiros é o Aeros-ML, que teria uma configuração menor, com espaço para cerca de 120 passageiros ou 20 toneladas de carga. 

O dirigível .
Uma aeronave mais-leve-do-que-o-ar, como um dirigível, é preenchida com um gás como o hélio ou hidrogênio, o que lhe proporciona flutuabilidade. Flutuabilidade é o efeito de algo que se eleva em relação a uma substância mais pesada que o rodeia. O ar é mais leve que a água, então se você inflar uma bola com ar, ela flutuará em uma piscina. 

A mesma coisa acontece com o hélio ou hidrogênio, ambos mais leves que o ar. Um avião normal é muito mais pesado que o ar, de forma que a sustentação deve ser suprida por outros meios. Sustentação é a força sobre a asa imersa em um fluido em movimento (neste caso, o ar) e atua perpendicularmente ao fluxo do fluido. Quando o avião se move pelo ar com velocidade suficiente, a deflexão do ar cria a sustentação.

Imagem cedida por Worldwide Aeros Corp.
Os principais componentes do Aeroscraft

O Aeroscraft combina elementos de uma aeronave mais-leve-que-o-ar com os de um avião. Comporta cerca de 396.000 m3 de hélio, o que neutraliza aproximadamente 60% do peso do aparelho. Quando o Aeroscraft está em velocidade de cruzeiro, seu formato aerodinâmico, bem como os canards (estabilizadores dianteiros) e a empenagem (elevadores de popa ou estabilizadores traseiros), fornecem a sustentação restante.

Isto é bastante impressionante quando consideramos as dimensões do Aeroscraft: 50 m de altura, 74 m de largura e 197 m de comprimento (aproximadamente do tamanho de dois campos de futebol americano). Ele suportará até 400 toneladas de carga, por uma distância de 9.600 km. Com uma velocidade máxima de 280 km/h, será capaz de cruzar os Estados Unidos em cerca de 18 horas.

Vejam uma animação do Aeroscraft.


Operando o Aeroscraft

Imagem cedida por Worldwide Aeros Corp.
O Aeroscraft pode decolar e pousar verticalmente, usando seis motores turbopropulsores a jato, graças a uma nova tecnologia chamada Dynamic Buoyancy Management (controle dinâmico de sustentação). Esta habilidade irá permiti-lo partir e voltar ao destino sem uma infraestrutura extensiva de transporte. 

Assim que o aparelho atingir altitude de cruzeiro (cerca de 8.000 pés), propulsores de popa gigantescos vão impulsioná-lo para a frente, e o perfil aerodinâmico do Aeroscraft gerará sustentação suficiente para mantê-lo no ar. Células combustíveis a hidrogênio, ou outra forma de combustível não agressiva ao meio ambiente, abastecerão os propulsores elétricos. Isto significa que o Aeroscraft será tão eficiente quanto silencioso.

No Aeroscraft, os quatro estabilizadores dianteiros e as empenagens irão deixá-lo estável e permitirão ao piloto fazer ajustes secundários para mantê-lo em vôo nivelado. Condições externas, tais como vento e pressão do ar, serão medidas juntamente com a distribuição do peso dentro do veículo. Se todos os passageiros repentinamente correrem para bombordo da aeronave para ver algo, o sistema de controle poderá fazer a compensação. O ar externo será sugado para dentro de tanques de contenção, onde será comprimido e usado como lastro.


Todos os sistemas de controle do piloto e equipamentos a bordo usarão tecnologia Fly-by-Light (FBL) Os comandos do piloto alimentam um processador de controle de vôo e são enviados aos atuadores de superfície via sinais elétricos transmitidos por cabos óticos. Nos sistemas Fly-by-Wire (FBW), os cabos devem ser blindados contra interferências de freqüências eletromagnéticas (FEM), o que resulta em peso, custo e manutenção adicionais. 

O FBL é imune à interferência eletromagnética de relâmpagos, por exemplo. No FBL, o processador de controle de vôo e os dispositivos de controle de vôo compõem o Onboard Data Exchange Managing System (ODEMS). Este sistema significa que o vôo é, na maior parte, automatizado, com uma tripulação de duas pessoas monitorando as condições de vôo para garantir a segurança.

O Aeroscraft não necessita de uma ampla equipe de terra para decolar ou pousar. Seu sistema de decolagem/pouso com colchão de ar (ACTLS), situado na barriga da aeronave, cria um vácuo para ancorá-la durante a aterrissagem. O ACTLS inverte-se na decolagem.

Esta sequencia de fotos mostra como será o interior do Aeroscraft:


Fonte: ciencia.hsw.uol.com.br