As Múmias de Salta

As "Crianças de Llullaillaco" causaram surpresa em todo o mundo. Através das fotografias divulgadas pela imprensa em abril de 1999, olhares atônitos contemplaram o rosto desta menina, que está imersa em um sono de cinco séculos. 


No ano de1999 um grupo de arqueólogos, argentinos e peruanos e o norte-americano Johan Reinhard, descobriram no monte Llullaillaco (um vulcão de 6.739 m de altura), perto da fronteira da Argentina com o Chile, um lugar sagrado com mais de 1,5 metro de profundidade. No local, enterrado no gelo, estavam três crianças incas, em perfeito estado de conservação. Seus corpos congelados estão entre as múmias mais bem preservadas do mundo, com órgãos internos intactos, sangue ainda presente no coração e nos pulmões, pele e traços faciais quase imaculados. 

O achado tratava-se de uma menina de 6 anos que foi batizada de "A Menina do Raio" (isso porque após sua morte, um raio atingiu seu corpo), um menino de 7 anos chamado simplesmente de "O Menino" e uma adolescente de 15, que foi apelidada de "A Donzela.

Nesta montagem os três achados arqueológicos: "O Menino", "A Donzela" e "A Menina do Raio"
O estado de preservação dos corpos é tão grande que a Donzela parece apenas dormir podendo acordar a qualquer momento. Estudos descobriram que as crianças foram sacrificadas e ofertadas ao Deus sol. Outros estudos indicaram um possível espancamento, devido a presença de sangue nas roupas da múmia ´O Menino'.

Anjos da montanha



O vulcão Llullaillaco 

As crianças foram encontradas no monte Llullaillaco, um vulcão de 6.739 m de altura perto da fronteira da Argentina com o Chile. 

O sacrifício ocorreu num ritual conhecido como capacocha. Elas caminharam por centenas de quilômetros, vindo de Cusco, a antiga capital inca no Peru. 

Cientistas também afirmam que, ao chegar à montanha as crianças, provavelmente, consumiram folha de coca e “chicha” (bebida alcoólica feita com milho), sendo logo em seguida colocadas para dormir em nichos subterrâneos onde morreram congeladas. Só crianças bonitas, saudáveis e fisicamente perfeitas eram escolhidas para o sacrifício. De acordo com as crenças incas, elas não morriam, mas se juntavam a seus ancestrais e viravam uma espécie de anjos da guarda de suas vilas natais.


Reportagem do 'Jornal Hoje' da TV Globo


Os corpos eram tão parecidos com crianças dormindo que estudá-los "mais parecia rapto do que trabalho arqueológico", compara Miremont. A menina mais nova, com seis anos de idade, foi atingida por um relâmpago algum tempo depois de morrer, o que causou queimaduras em seu rosto, corpo e roupas. Ela e o menino, de sete anos, tinham crânios levemente alongados, "plástica" feita com panos amarrados à cabeça. É um sinal de status elevado, e talvez até de ligações com a realeza inca.

Nesta foto, 'a Donzela': Os corpos eram tão parecidos com crianças dormindo
que estudá-los 
"mais parecia rapto do que trabalho arqueológico"
Testes de DNA revelaram que as crianças não tinham parentesco entre si, e tomografias mostraram que eles tinham recebido boa alimentação e não tinham ferimentos pelo corpo. A Donzela aparentemente sofria de sinusite e de um problema nos pulmões, provavelmente causado por uma infecção.


As montanhas da região de Salta abrigam pelo menos outros 40 enterros rituais com sacrifícios humanos, mas Miremont diz que os indígenas que vivem na área não querem que mais corpos sejam retirados. "Vamos respeitar os desejos deles", afirma o pesquisador. Para ele, os três corpos foram suficientes para a pesquisa. "Não precisamos abrir outros túmulos."

Veja também:
A Senhora de Cao.

Fontes:
http://tvig.ig.com.br
http://g1.globo.com/Noticias
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