Os Paralamas do Sucesso

Bi Ribeiro, João Barone e Herbert Vianna

Este mês a banda homenageada é nada mais nada menos que OS PARALAMAS DO SUCESSO, uma das maiores bandas pop do Brasil. 




Os Paralamas do Sucesso (também conhecida somente por Paralamas) é uma banda de ska e pop rock, formada no Rio de Janeiro no final dos anos 70. 

Seus integrantes desde 1982 são: o líder da banda, Herbert Vianna (guitarra e vocal), Bi Ribeiro (baixo) e João Barone (bateria).

No início a banda misturava rock com reggae e posteriormente passaram a agregar instrumentos de sopro e ritmos latinos. A banda faz parte do chamado quarteto sagrado do rock brasileiro, juntamente com o Barão Vermelho, Titãs e Legião Urbana.





O começo (1977-1983)



Herbert e Bi Ribeiro se conheceram ainda crianças em Brasília, por serem vizinhos (o pai de Herbert era militar, e o de Bi, diplomata). Herbert Vianna nasceu em João Pessoa, na Paraíba, no dia 5 de maio de 1961. Após passar toda a infância em Brasília, foi para o Rio de Janeiro no fim dos anos 70.

Apesar dos Paralamas serem considerados parte da "Turma de Brasília", por terem vivido e criado amizade com as bandas locais, é um grupo formado no Rio, época em que Herbert e bi faziam o 2º grau.

Os dois resolveram formar uma banda, Herbert com sua guitarra Gibson e Bi com um baixo comprado em uma viagem à Inglaterra. Depois se juntaria a eles o baterista Vital Farias. O grupo se separou em 1979 para fazerem o vestibular, e em 1981 se reuniram novamente.

Eles ensaiavam em um sítio em Mendes, interior do Rio de Janeiro, e na casa da avó de Bi, em Copacabana, Zona Sul da capital carioca. Esses ensaios lhe renderam a música "Vovó Ondina é Gente Fina".


O repertório não era sério (com canções como "Pinguins já não os vejo pois não está na estação", "Mandingas de Amor" e "Reis do 49"), e tentaram criar um nome no mesmo estilo. A primeira sugestão de nome foi "As Cadeirinhas da Vovó". O nome "Paralamas do Sucesso" foi invenção de Bi, e adotado porque todos acharam engraçado. Inicialmente o grupo tinha dois cantores (Herbert só tocava), Ronel e Naldo, que saíram em 1982.

Em setembro de 1981, ainda desconhecida, a banda ia tocar em um festival da Universidade Rural de Seropédica, mas Vital não apareceu. Foi substituído por João Barone, que assumiu o lugar na banda.

Do episódio, Herbert compôs "Vital e sua Moto", um dos primeiros sucessos do grupo. Eles mandaram uma fita com essa e mais 3 músicas para Rádio Fluminense e integrou Barone ao time definitivamente.



Capa de "Cinema Mudo"

"Vital e sua Moto" foi muito tocada durante o verão de 83, e os Paralamas tiveram a primeira grande apresentação, ao abrir um show de Lulu Santos no Circo Voador.

Se tocar na abertura do show de Lulu Santos no Circo Voador era o maior sonho de um trio de jovens músicos que ensaiavam no apartamento da avó do baixista, gravar um LP por uma das maiores empresas de música do mundo era empolgante.

Foi com essa empolgação que Os Paralamas do Sucesso entraram pela primeira vez em um estúdio. Impulsionados por uma série de shows para os amigos (e amigos-dos-amigos) nos pequenos palcos que se multiplicavam pelo Rio de Janeiro e pelo sucesso da demo de “Vital e Sua Moto” na Rádio Fluminense, eles assinariam contrato com a EMI, gravando o álbum "Cinema Mudo", que segundo Herbert Vianna, foi "manipulado pelo pessoal da gravadora", e que teve um sucesso moderado.


Subida para a fama (1984-1990)



Álbum O Passo do Lui

Em 1984, lançaram o álbum "O Passo do Lui", que teve enorme sequência de sucessos ("Óculos", "Me Liga", "Meu Erro", "Romance Ideal", "Ska") e aclamação crítica e no ano de 1985, Os Paralamas do Sucesso tocaram na primeira edição do Rock in Rio, um evento de música que reuniu os maiores nomes da música brasileira e internacional. 

O show foi considerado um dos melhores do evento e é historicamente lembrado pelos fãs e músicos da banda. Os Paralamas estavam consagrados no cenário nacional.




O inesquecível show no Rock in Rio, em 1985 


"Óculos"-2009

"Meu Erro"


Capa do álbum "Selvagem?"

Depois de grande turnê, lançaram em 1986 o disco "Selvagem?", o mais politizado de todos. O álbum contrapunha a "manipulação" desde sua capa (com o irmão de Bi no meio do mato apenas com uma camiseta em torno da cintura), e misturava novas influências, principalmente da MPB.

Com sucessos como "Alagados", "A Novidade" (a primeira com participação de Gilberto Gil, e a segunda co-escrita com ele), "Melô do Marinheiro" e "Você" (de Tim Maia), "Selvagem?" vendeu 700.000 cópias. O número de cópias vendidas credenciou os Paralamas a tocar no cultuado Festival de Montreux, em 1987.




Clipe de "Alagados" - anos 80

"Melô do Marinheiro" - anos 80


Capa do disco "D"

O show no Festival de Montreux, em 1987, Suíça, viraria o primeiro disco ao vivo da banda, chamado de "D"

Nele, a novidade, em meio ao show com os sucessos já conhecidos, era a inclusão de um "4º paralama", o tecladista João Fera, que excursiona com a banda até hoje, como músico de apoio.

Os Paralamas também fizeram turnê pela América do Sul, ganhando popularidade na Argentina, Uruguai, Chile e Venezuela.





Álbum "Bora Bora".

"Bora-Bora" é o quarto álbum de estúdio dos Paralamas do Sucesso, lançado em 1988. Este álbum marca a estréia dos sopros. Contém sucessos como "O Beco", "Uns Dias" e "Quase um Segundo". Na Europa, o disco vendeu cerca de 20 mil cópias.

Se em “Selvagem”, Os Paralamas já haviam surpreendido ao mudar bastante seu som, em “Bora-Bora” surpreenderam ainda mais ao incluir em diversas músicas trombones e trumpetes no então disco de vinil (principalmente no “lado A” do disco, até a música 7). 

No “lado B” as letras falam de amor não correspondido, traição etc, numa alusão ao final do romance entre Herbert Vianna e Paula Toller, vocalista da  banda Kid Abelha.

"Bora Bora", portanto, foi um disco definitivo em alguns sentidos. Herbert nunca mais largou o apreço pelas canções de amor, os Paralamas nunca mais deixaram de ter os metais nas suas músicas. "Bora-Bora" é tão aclamado pela crítica quanto "O Passo do Lui".

"O Beco" com Samuel Rosa e Titãs


Álbum Big Bang

"Big Bang" (1989) seguia o mesmo estilo, tendo como hits a alegre "Perplexo" e a lírica "Lanterna dos Afogados". Nada previsível, nem nada inatingível. O hit Lanterna dos Afogados até hoje merece interpretações, e a audição dentro do disco inteiro só amplia as possibilidades.

"Big Bang" era um groove de baixo incansável e bateria toda quebrada, com as levadas de um teclado nervoso e solos precisos de sax-trompete-trombone.




"Lanterna dos Afogados"

Seguiu-se a coletânea "Arquivo", com uma regravação de "Vital" e a inédita "Caleidoscópio" (antes gravada por Dulce Quental, do grupo Sempre Livre).

"Caleidoscópio"


O começo da década de 1990 foi dedicado às experimentações. "Os Grãos" (1991), disco com enfoque nos teclados e menor apelo popular, não foi bem nas paradas (apesar de ter tido 2 sucessos, "Trac-Trac" - versão do argentino Fito Páez - e "Tendo a Lua") e nem vendeu muito, algo que também pode ser atribuído à grave crise econômica pela qual o Brasil passava na época.

Clipe de "Trac-Trac"


Capa de Severino

 Após uma pequena pausa (na qual Herbert lançou seu primeiro disco solo), o trio retorna aos shows, que continuavam cheios, embora a banda passasse por fortes críticas da imprensa. No fim de 1993, a banda viaja para a Inglaterra, onde, sob a produção de Phil Manzanera, gravam "Severino"


O álbum, lançado em 1994, teve participação do guitarrista Brian May da banda inglesa Queen na música "El Vampiro Bajo El Sol". Este disco era ainda mais experimental, com arranjos muito elaborados, e foi ignorado pelas rádios e grande público, vendendo 55 mil cópias.


Mas se no Brasil os Paralamas estavam esquecidos, no resto da América eles eram ídolos. No ano de 1992, os Paralamas e sua coletânea de versões em espanhol "Dos Margaritas" (a versão hispânica de Severino) estouraram, principalmente, na Argentina.


Volta às paradas (1995-2000)


A despeito das fracas vendagens do CD, a turnê de Severino estava sendo muito bem sucedida, com o público recebendo sempre bem os Paralamas.  Uma série de três shows, gravada no fim de 1994, viraria em 1995 o disco ao vivo "Vamo Batê Lata".

Álbum "Vamo Batê Lata"

Vamo Batê Lata era acompanhado de um CD com 4 músicas inéditas, e o sucesso de "Uma Brasileira" (parceria de Herbert com Carlinhos Brown e participação de Djavan), "Saber Amar" e a controvertida "Luís Inácio (300 Picaretas)" - que criticava a política brasileira e os anões do orçamento - atraiu a atenção de público e imprensa de volta aos Paralamas. 

A volta às canções de fácil compreensão e ao formato pop colaborou definitivamente para o retorno ao sucesso de crítica e público, resultando na maior vendagem da carreira da banda (900 mil cópias).

Também começou aí a fase dos videoclipes superproduzidos, que levariam 11 VMB de 1995 a 1999, começando por Uma Brasileira, vencedor nas categorias Clipe Pop e Escolha da Audiência.

"Uma Brasileira"



"Nove Luas", de 1996 e "Hey Na Na", de 1998 continuaram o caminho de êxito com faixas como "Lourinha Bombril", "La Bella Luna" e "Ela Disse Adeus" ("Nove Luas" vendeu 250.000 cópias em um mês, enquanto "Hey Na Na" vendeu o mesmo em apenas uma semana).

"La Bella Luna"

"Ela Disse Adeus"- legendada

Em 1999 a MTV Brasil chamou os Paralamas para gravar o "Acústico MTV". O álbum, com canções menos conhecidas e as participações de Dado Villa-Lobos, ex-Legião Urbana, e da Banda Vitória Régia (que sempre acompanhou Tim Maia em seus shows), vendeu 500.000 cópias, ganhou o Grammy Latino e teve turnê de shows lotados.

Em 2000, lançaram uma segunda coletânea, "Arquivo II", com músicas de todos os álbuns entre 1991 e 1998 (exceto "Severino"), uma regravação de "Mensagem de Amor" e a inédita "Aonde Quer Que Eu Vá", parceria de Herbert com Paulo Sérgio Valle (a dupla também escrevera sucessos para Ivete Sangalo).

Clipe de"Aonde Quer Que Eu Vá"


Um acidente - Fim da Banda?(2001)


Em 4 de Fevereiro de 2001, o líder da banda sofre um acidente aéreo: um ultraleve pilotado por Herbert Vianna caiu em Mangaratiba. A mulher de Herbert, Lucy, estava a bordo e morreu com a queda. Herbert fora resgatado e levado para a capital. As sequelas foram duras: Herbert fora entubado e acabara preso a uma cadeira de rodas. Enquanto a recuperação do cantor ocorria aos poucos, muitos fãs acreditavam que Os Paralamas do Sucesso tinha chegado ao fim. Os músicos integraram e lederaram outras bandas. Mês a mês Herbert ia recuperando seus movimentos, sua inteligência já retornava aos poucos e, junto, as lembranças das canções e dos acordes musicais.

Reportagem sobre o aciedente no noticiário 
"Jornal Nacional" da Tv Globo, 2001


Manchete do jornal O Estado de São Paulo na ocasião do acidente.

O retorno (presente)


Em agosto de 2002, o que era para ser uma comemoração de um ano da banda Reggae B, liderada pelo baixista Bi Ribeiro, virou uma grande festa, no Ballroom, no Rio. Enquanto os roqueiros se apresentavam, Bi surpreendeu a todos quando anunciou a presença de Herbert Vianna no local. Em poucos minutos, Bi Ribeiro, João Barone e Herbert subiram ao palco para tocar juntos. 
Herbert e Lulu Santos
Lulu Santos toca com Herbert: o retorno dos Paralamas.

Depois de quase um ano e seis meses após o acidente de ultraleve que quase matou o vocalista dos Paralamas, o que parecia impossível de acontecer, estava diante dos olhos de uma platéia de sorte: os Paralamas do Sucessos estavam de volta.

Em seguida, outro convidado foi anunciado: Era  Lulu Santos. Todos juntos, tocaram "Assaltaram a gramática" - música de Lulu e Wally Salomão gravada pelos Paralamas no disco O Passo do Lui. 

Ao final, Lulu tomou a iniciativa e puxou: ''de novo, só que agora mais rápido!". E eles deram um bis. Para fechar com chave de ouro, o grupo relembrou o sucesso "Meu Erro".

Assim que Herbert mostrou que podia tocar, Bi e João resolveram voltar aos ensaios e gravar um disco cujas canções já estavam preparadas antes do acidente. "Longo Caminho" foi lançado em 2002. O som voltava ao principio, sem metais, em busca de um som mais "cru". 

Uma apresentação no programa Fantástico, da TV Globo, serviu como a reestreia da banda, pós-acidente. A volta às turnês teve muito êxito, com shows lotados, até pela curiosidade do público em saber das reais condições de Herbert e da ansiedade em ver a banda reunida novamente. Tudo isso, aliado aos novos sucessos radiofônicos "O Calibre", "Seguindo Estrelas", "Cuide Bem do Seu Amor", impulsionou as vendas de "Longo Caminho", que chegaram a 300 mil cópias.

"Cuide Bem do Seu Amor"- ao vivo

"Tendo a Lua" - ao vivo


Capa de "Uns Dias-Ao vivo"
Aproveitando o caráter fortemente emocional e emocionado dos shows da turnê, a banda grava "Uns Dias Ao Vivo" (2004), cheio de participações especiais (Dado Villa-Lobos, Andreas Kisser, Edgard Scandurra, Djavan, Nando Reis, Paulo Miklos, George Israel e Roberto Frejat).

O disco mostrou uma banda pesada como quase nunca havia se visto. Velhos sucessos, como "Meu Erro", ganhavam versões turbinadas. As novas músicas soavam ainda mais cruas. 

Além de tudo, a banda decidira fazer a primeira parte da apresentação num pequeno palco armado no meio da pista. A proximidade com o público colaborou para que o resultado final ficasse caloroso e captasse fielmente a emoção dos shows.

Os Paralamas do Sucesso é, sem dúvidas, a banda detentora das mais lindas canções da música pop brasileira e, talvez, a maior banda em atividade no país.


Fontes:

http://www.paralamasforever.com
Google imagens
Youtube
Wikipédia
osparalamas.uol.com.br