A Invenção de Hugo Cabret – Análise





A Invenção de Hugo Cabret mostra um garoto que, após perder seu pai, dedica sua existência a consertar um autômato, neste caso um “robô” de cordas capaz de escrever uma mensagem. Durante sua busca ele se envolve com Papa George, um dono de loja de brinquedos de cordas, e sua afilhada. Dizer mais que isso é estragar muito da experiência planejada por Scorcese. Há filmes construídos sobre um grande roteiro, outros são estruturados em cima de mensagens e sensações e Hugo faz parte deste segundo grupo.



Fazendo uso de uma narrativa lenta e extremamente inocente, o diretor constrói a homenagem definitiva a criação do cinema. A jornada de descoberta de Hugo, é uma viagem a origem da sétima arte e um resgate de um passado que, cruelmente, teimamos em esquecer. O uso do 3D aqui, não é um artifício para trazer crianças às salas do cinema. Scorcese usa-o com admirável propósito narrativo, emulando as sensações únicas daqueles que estiveram na primeira exibição da invenção dos Irmãos Lumière. Quando os objetivos do diretor tornam-se claros, após os lentos 40 minutos iniciais, a sensação de deleite é grande demais para ser contida.


Enquanto homenageia a literatura fantástica, o cinema e um de seus principais expoentes iniciais – dizer mais que isso seria destruir parte da beleza da película – o filme cria uma ode à própria inventividade ao mesmo tempo que tece uma mensagem construtiva de que todos temos o nosso propósito, nosso sentido e nosso brilho. Porém mais do que a mensagem poderosa e a busca da emulação de sensações que foram sentidas no século 19, Hugo é um filme biográfico.
 Uma cinebiografia de profunda genialidade e sutileza, criada através de um jogo de fumaça e espelhos como as ilusões realizadas pelos grandes mágicos do século passado. Não há modo melhor para mostrar a vida e a obra de alguém especializado em entreter através da magia e do sonhar do que retratá-lo de modo tão docemente inocente, inventivo e fantástico como neste filme.

No fim das contas Martin Scorcese realiza um de seus trabalhos mais ousados. Um truque. Um ato capaz de enganar milhões e, por isso mesmo, frustrá-los. Uma homenagem ímpar a um nome injustiçado e esquecido travestido de filme infantil em 3D. Uma película de coragem admirável e de execução brilhante.

A Invenção de Hugo Cabret é um filme difícil de recomendar para quem não é um grande fã de cinema. Para os cinéfilos, entretanto, é um trabalho de profunda coragem e amor. Uma obra que nos arranca lágrimas de alegria quando descobrimos que ainda somos capazes de temer um trem saindo dos trilhos.

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A Invenção de Hugo Cabret" brilha no Oscar 2012

Críticos elogiam o filme "A Invenção de Hugo Cabret", de Martin Scorsese, na premiação do Oscar 2012 em Los Angeles.
O filme "A Invenção de Hugo Cabret" foi um dos grandes destaques da cerimônia do Oscar 2012 realizado na noite deste domingo, 26, em Los Angeles, nos Estados Unidos. "A Invenção de Hugo Cabret", com direção de Martin Scorsese, recebeu os troféus técnicos de Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Edição de Som, Mixagem de Som e Efeitos Visuais.

O crítico José Wilker, que apresentou o Oscar 2012 na Rede Globo, era só elogios ao longa de Martin Scorsese, principalmente pelas técnicas em 3D. "É um filme que tecnicamente é impecável. Na minha opinião, é o primeiro filme em 3D de verdade. Os outros foram ensaios", comentou Wilker.


Fonte: http://www.ospaparazzi.com.br/